Aqui, a íntegra da entrevista com a Karine Alexandrino.

"DIFÍCIL É FAZER UM TRABALHO SEU DE VERDADE"
Karine Alexandrino, 30, prepara o lançamento de seu terceiro álbum, Mulher Tombada. A artista cearense, que já tocou com os belgas do Vive La Fête e já ficou pelada em cima do palco, não pára quieta: apresenta um programa de TV em uma emissora local do Ceará, escreve para um jornal de Fortaleza e, ainda este ano, lança outras duas novidades: uma HQ com seus diários eróticos e o filme Como Me Tornei Uma Adúltera. Ela deveria se apresentar em Salvador no dia 14, com a Brinde. O show foi adiado, mas os soteropolitanos devem ter a oportunidade de conferir a intrigante performance de palco da garota ainda neste primeiro semestre.
Gabriela Quintela
A TARDE - Você ficou pelada no Abril Pró-Rock de 2004? Digo, pelada mesmo?
KARINE ALEXANDRINO - Eu estava com uma meia-calça, sem calcinha, e levantei o vestido, ou foi o vestido que levantou... Não foi uma coisa intencional. Só que eu não tenho pudores quando tou no palco. Se der vontade de ficar pelada de novo, vou ficar. Os modelos não desfilam de roupa transparente? Nem por isso são vagabundos. Eu sei que se chegasse uma cantora estrangeira e mostrasse a buceta ali, todos os jornalistas achariam lindo. Mas como é a Karine Alexandrino, de Fortaleza... A imprensa brasileira é muito conservadora.
AT - Que nada, eu adorei. E a HQ com o seu diário erótico, sai ou não sai?KA - No próximo semestre. Chama-se Noites de Producta e é desenhada pelo meu marido, Weaver Lima. É uma adaptação desses meus diários. Eu sempre escrevo em cadernos, tenho vários. E dos 20 aos 23, tive uma vida sexual intensa. Tinha compulsão pelo sexo, acho que eu era meio ninfomaníaca. Na verdade eu tinha muito, muito medo de morrer, achava que ia morrer a qualquer instante, então estava decidida a aproveitar a vida... Principalmente no aspecto sexual.
AT - Você capricha no visual, nos seus vídeos, nas fotos. Poucos artistas independentes têm todo esse cuidado com a imagem.
KA - O Nicolas Gondim [fotógrafo cearense] é o meu fotógrafo. Mas acho que isso depende do trabalho do artista. No meu caso, essa produção toda fica legal, tem a ver. O pessoal do Montage, por exemplo, viu que isso dava certo, e agora o Nicolas fotografa eles também.
AT - Como é o seu programa de TV nessa emissora cearense?KA - É um programa semanal. Meio punk, porque eu que faço tudo, praticamente sozinha. Eu mesma filmo, edito. Viajo pra cobrir eventos, festivais. Apresento videoclipes, matérias... Tenho também uma coluna semanal num jornal daqui de Fortaleza. É ótimo. Até porque não dá pra viver só de música.
AT - E o projeto do filme?
KA - É um média metragem. O título é Como Me Tornei Uma Adúltera - Histórias de Uma Mulher Ociosa. Vai sair no segundo semestre, também. Por enquanto, estou me dedicando a finalizar o álbum. Quem sabe rola até uma participação do Paulo César Pereio... Já pensou? Uma participação do ator maldito do cinema nacional...
AT - Verdade que o seu verbete na Wikipédia foi excluído porque tinha sido criado por você mesma?
KA - Não. Isso foi um erro de comunicação... Aquele pessoal da Wikipédia é um bando de gente morta. Fiquei chateada com a falta de ética deles. Não criei meu verbete lá, não editei. Só tem gentalha naquela Wikipédia. Sentem-se especialistas. O prazer deles é decidir quem pode ou não pode ter verbete ali, excluir quem eles querem excluir... Acabei achando ótimo quando o meu nome saiu de lá.
AT - Como era a Intocáveis Putz Band?
KA - Ah, foi quando eu comecei a cantar profissionalmente, em 96. A gente fazia coisas performáticas, muito teatrais. As canções eram bem-humoradas... Ou pelo menos, tinham essa pretensão. [risos] Porque isso não quer dizer que conseguíamos sempre.
AT - Como você avalia a sua evolução desde o primeiro disco, o Solteira Producta, de 2002, até o Mulher Tombada?
KA - Eu acho que à medida que o tempo passa, sinto mais segurança. Fico mais sensível aos acontecimentos. Meus trabalhos são bem autobiográficos mesmo. Se eu quisesse simplesmente agradar, eu poderia fazer um álbum electro, como fazem por aí, pra entrar na onda. Difícil é fazer um trabalho seu de verdade. Quero continuar experimentando coisas. Posso fazer um disco todo ao piano, por exemplo. [risos] Já pensou? Agora, a Mulher Tombada é o seguinte. Desde 2004 eu faço uma campanha para ser tombada como patrimônio imaterial da humanidade. E num sei se tu sabe que nos shows, tem uma hora em que eu caio mesmo. Levo um tombo. Tanto que tenho hematomas, escoriações. Então tem esses dois sentidos, é tombada de patrimônio, e tombada de queda.
AT - Quem é a Producta?
KA - É a minha personagem. Os meus álbuns formam a trilogia da Producta. As minhas músicas têm muitas imagens, e eu já componho pensando nos vídeos para a Producta. Só que nesse terceiro disco, vai ter também uma nova personagem, a Formosa Bandida.
AT - O Ceará é conhecido por compositores como Fagner, Belchior, Ednardo. E é também a terra do forró. Mas a tua música não tem nada a ver com nada disso. Como é pra você fazer um som tão diferente, no Ceará? Você busca essa ruptura com o regionalismo, é intencional?KA - Eu me vejo como uma habitante de um lugar que faz parte do mundo. E eu sou da cidade, não tenho obrigação de colocar batuque, nem maracatu nos meus discos. Um trabalho verdadeiro é uma extensão da tua vida. Aqui tem esses editais, essas políticas que propõem um resgate das tradições, e muito artista que faz música regional só pra entrar nesse esquema do patrocínio. Respeito quem faz música verdadeiramente de raiz. Mas eu sempre parto do princípio de que vivo num lugar que faz parte do mundo. Acho que a gente tem que respeitar isso.
AT - O pessoal do Montage uma vez disse que, quando eles chegaram em São Paulo, o pessoal perguntava "Ah, vocês são do Ceará? Tem sanfona no som de vocês?"
KA - Engraçado que eu fui pra São Paulo bem antes do Montage, e lá nunca ninguém me perguntou isso.
AT - Atualmente, o Ceará tem uma cena bem interessante e diversificada. Que artistas e bandas daí você curte?
KA - Ah... Eu gosto dos caras do Montage... Gosto muito do Cidadão Instigado, que faz um som muito particular, muito deles, e eu acho que isso é uma coisa que temos em comum. Fazemos as coisas bem do nosso jeito. A gente quer provar... Na verdade, a gente não quer provar nada. Mas fazemos trabalhos individuais e intransferíveis.
AT - Você adora a Zelda Fitzgerald, né?
KA - É. Tenho uma música chamada Zelda. É como se estivéssemos eu, ela e Deus juntos. A gente tá de ressaca, e eu sempre penso que vou morrer quando tou de ressaca. No final da canção, a Zelda fecha os olhos e é arrebatada... sabe? Para o céu. Num sei se tu entendeu essa última parte. É arrebatada por Deus. Eu gosto muito do Scott Fitzgerald, tenho todos os livros dele. Mas nunca li o livro da Zelda. Nunca encontrei pra vender.
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Confira abaixo dois vídeos da Karine.
Babydoll de Nylon ao vivo no APR 2004
Kiss Kiss Kiss
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Karine Alexandrino sobre a Producta:
"Producta é o meu alter-ego mesmo. Estas são os estados de espírito da Producta:
- Demonia Producta é o lado lilith da Producta;
- Pânica é quando ela toma remédios e fica dando conselhos;
- Vendicta é a que acaba com as fortunas dos amantes;
- Perdicta é quendo ela está bêbada, e ninfomaníaca anos 20."
Abaixo, sempre da esquerda para a direita: Producta, Demonia, Pânica, Vendicta e Perdicta.

Ouça mais Karine Alexandrino nas páginas dela no Trama Virtual e no MySpace.


Escrito por Karine Alexandrino às 11h56
a imagem refletida na realidade










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